Poeta Lauro Menezes


POESIA


VASO QUEBRADO 

Lauro Menezes 


Certa vez, uma moça, distraída, 
Brincando, por acaso, 
Lançou uma semente ressequida 
Dentro de um vaso. 

E depois atirou-o para um lado. 
E alegre, jovial, 
Foi-se embora, deixando abandonado 
O vaso, num recanto do quintal. 

Passou-se o tempo... E ela nem mais uma hora, 
Um momento, sequer, pensou no caso. 
Mas a semente germinara... E agora 
Era uma planta a bem nascer no vaso. 

Em pouco não continha humos bastante 
A terra lá do vaso. E era de ver 
A raiz, como serpe, coleante, 
Dobrando-se, crescendo a cada instante, 
Na ânsia de viver. 

A planta pouco a pouco ia morrendo, 
Exalando um perfume raro e doce. 
Mas a raiz lutava, ia crescendo... crescendo... 
E o vaso espedaçou-se. 

Às vezes um olhar indiferente, 
Lançado sem a mínima intenção, como a semente, 
Germina. E pouco a pouco, e lentamente, 
Vai nascendo em segredo uma paixão. 


E o coração a custo vai contendo 
A cálida paixão, 
Que, dia a dia, aumenta, e vai crescendo... 
E espedaça-se o pobre coração. 

E é por isso que, sem se saber porque, 
Fica-se admirado, 
Quando ao acaso por aí se vê 
Um pobre coração despedaçado. 

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Carta do poeta NICODEMOS ARAÚJO ao Meu Bisavô na década de 40


O MÚSICO 



A Lauro Menezes 



Seu filhinho mais novo, o mais querido 

Adoecera inesperadamente, 
Mas ele vai, por um contrato urgente, 
Levando, embora, o coração partido. 

E enquanto o povo brinca divertido, 
Ele sofre, a tocar, nervosamente, 
Supondo ouvir do pequenino doente 
O doloroso e tímido gemido. 

Termina a festa. E o músico, apressado, 
Regressa ao lar, trazendo ao ninho amado, 
Com seu amor, um pouco de conforto. 

Mas ao entrar na lôbrega morada, 
Encontra a esposa em lágrimas banhada 
E, sobre a esteira, o seu filhinho morto. 

Do amigo NICODEMOS ARAÚJO.






Um comentário:

  1. Poeta Lauro Augusto De Menezes, meu avô. gostaria de adquirir o livro "CARDOS E ROSAS" Editado no Rio de Janeiro em 1923, moro em Rio Branco Acre, sou filho de Luiz Lima De Menezes.

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